Mindfulness como ferramenta no tratamento da Dependência Química

FOTO PSICOLOGO2Mindfulness é um estado mental que pode ser treinado por meio de técnicas , exercícios meditativos e psicoeducativos –  fundamentais nestas intervenções.

Essas intervenções são metodologias estruturadas que comportam atividades presenciais (junto a um facilitador) juntamente com técnicas simples de fácil aplicação em nosso dia-a-dia.

A prática diária de Mindfulness leva a um aumento na densidade de matéria cinzenta do cérebro e é fascinante ver a plasticidade das células neuronais que, através das práticas de meditação, podem desempenhar papel de mudanças do cérebro, aumentar o bem estar e qualidade de vida.

Através de estudo de RM (ressonância magnética- imagem) após 02 semanas de prática (totalizando 08 semanas) é possível observar melhoras significativas numa enormidade de sintomas (estresse, ansiedade, depressão, dor crônica, cardiopatias – entre outros).

A abordagem da Mindfulness faz com que foquemos ao máximo nossa atenção no que está acontecendo no presente pois está centrada no poder transformador da atenção plena e da concentração no momento atual, intencionalmente.

Tem a ver com estar em contato com a vivência desse momento, sem ser absorvido por ele e sem querer pré julgá-lo.

Normalmente o dependente químico não percebe seus pensamentos e suas emoções e funciona como se tivesse sido ligado um “piloto automático”  e o fato de não ter essa consciência pode ser a armadilha para uma recaída.

A medida que o adicto reconhece essas armadilhas, esta consciência vai facilitar as mudanças de comportamento.

A Prática de Mindfullness é um grande benefício no campo pessoal e, na dependência química, é mais uma valiosa ferramenta.

A Clínica Grand House utiliza esta técnica como mais uma ferramenta no tratamento da dependência química e aqui ela é aplicada pelo psicólogo Rafael Angelo, especialista em Mindfulness e também em Neuro-ciencias  e Neurofilosofias na transdiciplinaridade, Leituras do Corpo- visão Neuro ciências pela UNIFESP e tem atuado na área há quase 30 anos.

As sessões de Mindfulness são realizadas aqui na Grand House uma vez por semana por aproximadamente 1h30min, onde ocorrem vivências e trocas de experiências sobre as técnicas, que são baseadas em práticas meditativas de simples aprendizagem – porém com enormes benefícios.

Clínica Grand House
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Tels: 4483 4684 / 4483 4524

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Automedicação x Dependência Química

cuidado-com-a-automedicacaoA automedicação e o uso inadequado de certas substâncias podem gerar graves complicações para a saúde. O ser humano que simplesmente resolve se medicar, sem prescrição e acompanhamento médico, pode estar colocando sua vida em risco. A automedicação é uma prática comum no Brasil. Estudos indicam que pelo menos 35% dos medicamentos no Brasil são adquiridos sem prescrição médica. No entanto, poucos sabem que isto pode causar problemas de saúde, como reações alérgicas, intoxicações e mesmo dependência química. Em boa parte dos casos, a indicação vem de familiares ou amigos que já tiveram quadro clínico parecido e que desconhecem o fato de que cada organismo reage de forma diferente aos remédios. Ou seja, não é porque uma medicação teve efeitos positivos em alguém conhecido que trará benefícios à pessoa que apresenta um problema semelhante.

Alguns medicamentos, como analgésicos, vitaminas, antiácidos, laxantes e descongestionantes nasais, são vendidos sem prescrição médica. Isso, porém, não significa que não façam mal à saúde. Eles podem agravar doenças, mascarar sintomas ou até mesmo ter efeitos colaterais como intoxicação, dependência química e reação alérgica. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as reações adversas a medicamentos representam mais de 10% das internações hospitalares.

Outro problema grave da automedicação é a interação com outros medicamentos. Essa situação acontece quando a pessoa está tomando um medicamento e, diante de um novo quadro clínico, decide usar outro remédio por conta própria. No entanto, os componentes dos dois medicamentos podem reagir um com o outro, agravando a situação ou acarretando um novo problema.

A sociedade médica se preocupa e sempre alerta para este grande mal, mas às vezes o difícil acesso à uma consulta, ou mesmo a uma receita médica, faz o cidadão comprar remédios por sua própria conta licitamente ou até ilicitamente, com contrabandistas de remédios ou mesmo através de profissionais que burlam as normas para ganhar mais dinheiro.

Se o Brasil é um dos campeões mundiais da automedicação o motivo é a ignorância no assunto e também a facilidade de conseguir os remédios não receitados por um médico.

O uso de medicamentos em crianças sem indicação clínica é ainda mais grave e pode levar à intoxicação – podendo até ser fatal. Apesar de esta informação ser amplamente difundida em todos os meios sociais, muitos pais insistem nessa prática irresponsável.

Segundo especialistas, alguns pais são muito pouco cuidadosos com os seus filhos e tendem a administrar medicamentos indiscriminadamente, como aqueles para tosse ou resfriado. É ainda uma questão cultural!

Assim como as crianças, os idosos, em muitos casos, dependem de terceiros para medicá-los, que infelizmente também o fazem sem nenhuma orientação médica.

Nessa fase da vida, segundo relatórios relacionados à pesquisa de ingestão de medicamentos, os riscos aumentam porque a maioria dos remédios são pesquisados e desenvolvidos com base em estudos realizados em pessoas jovens, quando o corpo reage de uma forma diferente às substâncias químicas.

Nos idosos, a absorção e a distribuição são diferenciadas, podendo produzir efeitos indesejáveis. Os efeitos colaterais e os sintomas proporcionados pela automedicação podem confundir o quadro clínico, promover o acúmulo das substâncias e acentuar determinadas tendências.

Então fica a dica da clínica Grand House, que luta a favor de uma vida sem drogas: nunca se automedique, ou automedique crianças ou idosos, tenha sempre a orientação de um médico!

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Tel: 4483-4684 //  4483-4524 //  2649-2841

Dicas para manter seu filho longe das drogas e do álcool

tumblr_ljphnsRzE41qfbc79o1_500_largeExiste uma lei que proíbe o consumo de álcool a menores de 18 anos. E, sendo lei, deveria ser respeitada também dentro de casa. A lei não existe em vão: o organismo do adolescente reage de maneira distinta ao do adulto. Em excesso, o álcool e outras drogas podem levar a danos no cérebro que acabam danificando a memória e o aprendizado. Como o álcool e outras drogas agem em todos os neurotransmissores cerebrais, ele atrapalha todo esse processo. O adolescente fica muito mais predisposto a ter problemas de percepção e discernimento e, por isso, não consegue distinguir situações de risco, acaba tendo dificuldades no trabalho, nos estudos, e assim por diante.

Apenas uma cervejinha ao adolescente causa tantos danos?

Um dado alarmante é que pesquisa indicam que o inicio da utilização de substâncias ilícitas geralmente ocorre entre as idades de 13 a 16 anos. 50% dos estudantes entre 10-12 anos já usaram bebidas alcoólicas. O risco é em torno de 200% maior do uso de cigarros, álcool e outras drogas entre a 8ª serie e 2º ano do ensino médio. O risco de usar maconha é 65 vezes maior para pessoas que fumam ou bebem. O risco de usar cocaína é 104% maior para pessoas que usam maconha. Portanto, uma cervejinha combinada com outros fatores de risco, podem sim causar danos ao adolescente.

Os danos podem tornar-se irreversíveis e podem deixá-los mais propensos a serem adultos com dependência química.

E o que tem os pais a ver com isto?

O problema é que muitos pais toleram uma bebidinha dos filhos, e o que é pior, às vezes, até oferecem – afinal já estão se tornando “quase” adultos.

Como especialista no assunto, já tive contato com pais que, às vezes, chegam ao consultório aflitos porque o filho fuma um cigarro de maconha, porém acham normal que ele tome um porre todo fim de semana.

Porque os jovens caem no excesso?

Existem várias causas, que podem ir desde até a curiosidade, a tendência a repetir modelos dos adultos, dos amigos, a solidão, a carência, a necessidade de afirmação, a necessidade de aventura ou de correr riscos, a busca de algo que sirva para modificar suas emoções, falta de perspectiva, fuga de situações caóticas e até o mau exemplo ou maus tratos em casa, originado pelos próprios pais.

Mas, afinal o que devemos fazer para manter nossos filhos longe do alcoolismo e da adicção a outras drogas?

  • Em primeiro lugar, dê o exemplo. Evite beber na presença do seu filho.
  • Não permita que menores bebam, nem em ocasiões especiais como a festa de casamento de um parente ou natal e ano novo. Explique que é bebida de adultos e que deve ser ingerida com muito controle.
  • Jamais peça para o seu filho adolescente ir à padaria ou bar lhe comprar qualquer tipo de bebida, seja em virtude de festa ou qualquer outro motivo. Quando ignora isto, você abra a porta para que eles também experimentem.
  • Ajude seu filho a superar suas dificuldades através do afeto, esteja presente na sua vida, faça-o sentir-se amado.
  • Direcione seus filhos ao esporte e atividades artísticas (canto, música etc) – atividades físicas e artísticas são uma boa saída e proporcionam sensação (saudável) de prazer – além de ocupar a mente e seu tempo.
  • Deve ser dada à criança e ao adolescente a possibilidade de aprender a ser independente na hora certa e ter responsabilidades – porém sem pressioná-la além das suas capacidades.
  • Os pais devem mostrar apreciação e interesse em relação às coisas que os seus filhos estejam fazendo, mesmo que pelos padrões deles, elas não sejam tão interessantes ou importantes.
  • Saiba com quem seu filho anda, os lugares que freqüentam, os amigos que o rodeiam. Busque conhecer melhor os amigos do seu filho e os pais deles. Só no convívio é possível descobrir se algum consome drogas. Não aconselho aos pais a quererem fazer “parte” da turma e se infantilizar. O papel dos pais é colocar limites, acolher e monitorar os filhos.
  • Tenha um ambiente saudável em casa. Se em seu lar não existe respeito, se existe violência, grandes conflitos ou qualquer tipo de situação caótica, está na hora de rever tudo isto e mudar esta situação – antes que seja tarde.
  • Procure não deixar que sua família se torne um “grupo de estranhos” que só estão próximos fisicamente. Mantenha proximidade com o seu filho, converse, participe da vida dele.
  • Seu filho não precisa ter tudo o que ele quer, precisa aprender a lidar com a frustração para criar maturidade e aprender a valorizar seus ganhos.
  • É importante a orientação e valorização espiritual, pois ela é muito para ajudar seu filho a não cair na cilada das drogas. A religião pode significar um sistema representacional de fé e dogmas consistentes, por meio do qual uma pessoa busca conduzir  sua vida de conduta de maneira mais espiritual.  Segundo Carl Young, ao exercer a religiosidade, o indivíduo busca um objeto de “culto” para que ele possa decolar a sua energia e exercer a sua devoção. Aconselhamos a todos que pratiquem a espiritualidade tanto na vida pessoal quanto no meio terapêutico, pois sabemos que é não possível dissociar a alma, o corpo e o espírito.
  • Fique alerta a mudanças de comportamento do seu filho: perda de peso, deterioração do relacionamento com a família, queda no rendimento escolar, irritabilidade sem motivo, isolamento, sumiços repentinos, variação do humor, letargia, apatia, desinteresse – estes podem ser claros indícios da dependência química já estabelecida.

Se você realmente detectar que seu filho está consumindo álcool ou drogas, não perca tempo, não deixe o problema se agravar. Busque auxílio imediatamente, seja com especialistas do setor, em grupos de ajuda ou clínicas especializadas.

Sergio Castillo
Diretor Terapêutico Clínica Grand House
www.grandhouse.com.br

Dizendo “não” ao dependente químico.

correntes-quebradasMuitos pais ficam desorientados quando devem dizer NÃO ao dependente químico e acabam prejudicando aos seus filhos, mesmo com a intenção de acertar ou de ajudar.

No decorrer de mais de uma década como psicoterapeuta de dependentes químicos tenho observado que uma das variáveis mais comprometedoras para a recuperação é a atitude de negação do problema pela família ou a atitude incorreta perante o dependente.

Quando o problema se torna tão gritante a ponto de não ser possível mais ignorar o fato, aí vem mais uma crença falsa da família:  a convicção de que seu familiar dependente é diferente de qualquer outro usuário de droga no planeta e que superará a dependência praticando um esporte, viajando para algum lugar alternativo ou distante, fazendo algum tratamento paliativo (que não seja realmente o mais indicado), ou mil outras alternativas completamente irrelevantes diante da magnitude e gravidade do problema. Desta forma, a família acaba muitas vezes facilitando o uso de drogas para o usuário, mesmo que sem consciência disto, e fica protelando uma tomada de decisão firme para induzir o dependente químico ao tratamento.

O dependente por sua vez está completamente apaixonado e insano pela droga, como convencê-lo, então, de que está doente se ele retira um enorme prazer das substâncias psicoativas ou mesmo do álcool?

Por isto sempre indicamos que o tratamento deve sempre começar pela família, recebendo orientação de forma correta sobre co-dependência e rompendo, desta forma, um ciclo negativo de atitudes e reações.

Quando a família unida diz  NÃO ao uso de álcool e outras drogas com convicção que não tolerará este tipo de comportamento em casa, é neste momento que o dependente químico começa a pensar em se tratar.

Mas como é possível, sendo você o familiar de um dependente químico, dizer NÃO ao uso de álcool e outras drogas se o problema já se tornou incontrolável?

1º: Não se sujeite às regras do dependente químico.

O dependente químico, simplesmente não tem o direito de dar fim a vida de toda a família e amigos. Poupe-se a si e sobretudo a crianças presentes. Crianças que crescem ao lado de pessoas adictas (que não estejam em recuperação) terão probabilidades muito maiores de virem a desenvolver personalidades aditivas também.

Dizer NÃO ao dependente químico não se trata de abandonar o seu familiar ou de ser cruel. Trata-se de compreender que você não pode ajudá-lo e existem pessoas que simplesmente podem. Trata-se de compreender que se você mantiver a situação como está e continuar aceitando todas as manipulações e situações geradas pelo dependente químico, as probabilidades de que ele peça  ajuda a quem o pode ajudá-lo diminuirão, e assim segue-se o ciclo negativo,, pois ele “enterra” todos os dias a si mesmo e a todos que o rodeia.

Avance e não olhe para trás. O dependente químico precisa sentir perdas, precisa “bater no fundo” e compreender que não é seguro manter o caminho que segue. Não espere que ele lhe agradeça por tudo o que você faz pela sua sobrevivência, ele não tem a capacidade de avaliar as situações corretamente.

E ele age desta forma porque está doente e porque estes são sintomas de dependência e também porque esta, assim como outras doenças, mina e transforma a personalidade do indivíduo. Por isso compreenda que martirizar-se por um dependente químico é colocar mais chamas na fogueira em que ele já arde.  O que você tem a fazer é simplesmente agir da forma correta.

2º: Saiba amar sendo firme e sabendo reagir da forma correta na hora certa.

Você NÃO deve ceder aos desejos do dependente químico. NÃO deve colocar “panos quentes” sobre os erros do dependente, justificar seus erros ou acobertar o seu vício para poupá-lo, pois quanto mais você faz isto, pior a situação do dependente – você simplesmente está facilitando a vida dele.

Não permita que o dependente lhe “explore” você ou de qualquer outro modo. Respeite-se.

Não ignore as formas de manipulação ou chantagens utilizadas pelo adicto. Não estabeleça nenhum tipo de “pacto” ou “acordo” com o indivíduo dependente para manter segredos sobre o consumo de drogas. Isso apenas aumentará a falta de responsabilidade por parte dele.

3º:
Peça ajuda a quem sabe.

Não tente imaginar que lidar com uma doença deste porte é uma ciência inata. Milhares de pessoas estudam a adicção  e esta é uma das doenças em maior progressão no mundo atual: é grave, é mortal e está longe de ser um problema único da sua família e daquela pessoa. É um flagelo social de enormes proporções e habitualmente a família sente um terrível sentimento de impotência.

Por isso não se meta na tarefa heróica de tentar resolver isto por si. É mesmo necessário pessoas habilitadas em recuperação da dependência química para poder ajudar o seu familiar e há muitas pessoas dispostas a estender-lhe a mão, seja em comunidades de 12 passos, seja em clínicas públicas ou mesmo particulares.

4º: Cuide de si mesmo

Conheça os 12 passos e inicie uma implementação dos 12 passos na sua própria vida. Procure alguma reunião à qual lhe faça sentido ir e procure saber tudo acerca da importância e questões relacionadas com cada passo. Arrisque aceitar a hipótese de que os 12 passos possam lhe ajudar a curar suas feridas, e esclarecer dúvidas acerca de como o dependente afeta a sua vida.

Apesar de você não ser o responsável pela dependência do seu familiar (pois não existem culpados neste processo), você é responsável pelo seu próprio comportamento. Você tem a escolha de ajudar o seu familiar a evitar o consumo de substâncias, através do adequado estabelecimento de limites, acolhimento, orientações e tratamento.

5º: Faça um exercício diário de integridade moral

O dependente químico não vê pessoas, ele simplesmente vê “objetos”. Não por ser mau, mas por estar doente. O dependente químico manipula por sobrevivência e não agradece porque não vê o outro enquanto pessoa com a qual deva ser empático. Por isso não entre em negociações consigo nem com o dependente químico.

Integridade é dizer a verdade, NÃO aceitar manipulações nem manipular, NÃO negociar, NÃO tentar “comprar” a confiança do dependente químico (“se você parar de usar eu lhe compro um carro novo”), NÃO se humilhar, NÃO implorar, NÃO entrar em dramas. Mantenha-se integro todos os dias – respeite-se e faça-se respeitar.

A dependência do seu familiar não é um sinal de fraqueza da sua família. Infelizmente, isso pode ocorrer em qualquer família, como quaisquer outras doenças.

NÃO ameace, NÃO acuse, NÃO moralize os erros passados do seu familiar dependente. Isso apenas tornará você o foco da raiva e frustrações do seu familiar dependente; além disso, não ajudará o mesmo a modificar o seu comportamento.

No entanto, NÃO mascare, NÃO desculpe e NÃO proteja o dependente das conseqüências naturais do seu comportamento. Fazendo isso, você se torna “cúmplice” na perpetuação dos comportamentos irresponsáveis ou inadequados do adicto.

NÃO faça “jogos de culpa” para o indivíduo dependente. Por exemplo, dizer que “se você realmente gostasse de mim, você pararia de usar drogas” – isto realmente não funciona.

Por mais errado que este pensamento lhe pareça ou injusto: os seus problemas são só seus, não culpe mais ninguém. Mude a sua realidade em vez de tentar mudar a realidade do outro.

Além do problema relacionado ao uso de drogas pelo familiar dependente, você tem outros problemas para solucionar. NÃO os deixe de lado.

6º:  Aposte na recuperação

Compreenda que o dependente químico precisará provavelmente de internamentos de meses, e que a dependência química é uma doença crónica, que precisa de muito tempo de trabalho, e que geralmente a personalidade aditiva estará sempre latente.

Uma internação em uma clínica é apenas o primeiríssimo passo de um longo caminho.

NÃO interrompa um tratamento por qualquer motivo, muitas vezes vemos exemplos de motivos que são apenas pretextos para a interrupção do tratamento, minando as chances do seu familiar se recuperar de verdade.

Por isto é tão importante que a família se “recupere” da co-dependência e que inicie também um tratamento, pois é o primeiro passo para entender os seus problemas e angústias, trocando a ansiedade por uma vida equilibrada e podendo, desta forma, ajudar seu familiar querido na luta contra as drogas.

Uma vez tratado o dependente químico, não se iluda ao pensar que um tratamento foi o bastante para curá-lo, por melhor que ele pareça estar.  A dependência química é uma doença crônica que requer tratamento para o resto da vida, é como uma doença sem cura, como diabetes, hipertensão – deverá tratar e estar vigilante para sempre. Tenha isto em mente, pois ele deverá ter disciplina após a saída de uma internação.

Pessoas que convivem com usuários drogas ou álcool são, em geral, as mais suscetíveis a sofrer crises de estresse e distúrbios nervosos na luta diária para livrar amigos e parentes da dependência química. É um sofrimento muito grande e você não precisa estar sozinho nesta luta, a co-dependência pode ser algo realmente devastador. Peça ajuda.

Comece já. Olhe no seu espelho o seu olhar, provavelmente cansado e escolha primeiramente cuidar de si mesmo – desta forma você estará ajudando o seu familiar.

Sergio Castillo
Diretor Terapêutico
Clínica Grand House
http://www.grandhouse.com.br

Comportamento adictivo

drogados.jpgQualquer atividade, substância, objeto ou comportamento que se tornou o foco principal da vida de uma pessoa e que a exclui de outras atividades ou que a prejudica física, mental ou socialmente é considerado um comportamento adictivo.

Os comportamentos adictivos são fatores biopsicossociais e ambientais, adotados e desenvolvidos ao longo da vida e progressivamente de forma a suportar a pressão, problemas ou tensão do dia-a-dia.  São hábitos aprendidos e seguidos por alguma gratificação emocional, normalmente um alívio de ansiedade e/ou angústia. São hábitos mal adaptativos que já foram executados inúmeras vezes e acontecem quase automaticamente.

Podem passar despercebidos ao próprio indivíduo, incluindo a família, e reforçam a gratificação imediata, a impulsividade, a autocritica reduzida e a Ilusão.

Na dependência química, o comportamento adictivo é um dos fatores que muitas vezes involuntariamente denunciam os usuários de drogas.

Como a adicção é uma doença sem cura e, em muitos casos, as famílias levam anos para perceber que tem um dependente químico em casa, é bom observar tais tipos de comportamentos.

Até mesmo uma parte dos dependentes químicos já recuperados têm uma tendência a repetir os comportamentos adictivos. Em muitas casos o dependente químico fica “limpo”, mas as vezes pode acabar desenvolvendo outras compulsões, o que indica que apenas migrou da compulsão de drogas por outra qualquer (sexo, comida, jogos, gastos etc.).

O processo de dependência é uma síndrome de características psicológicas e comportamentais que se expressa em cada indivíduo de forma particular mas que exibe uma impressionante semelhança entre indivíduos dependentes, independentemente das suas circunstâncias específicas.

Os comportamentos adictivos estão todos interligados: Perante o programa de doze passos, que utilizamos na Grand House, a doença se divide em três aspectos: o físico, que é a compulsão, o aspecto mental, que é a obsessão e o aspecto espiritual, que é o egocentrismo.

A obsessão são os pensamentos repetitivos relacionados não somente ao uso, mas que se manifestam em outras áreas da vida do adicto, como trabalho, relações afetivas, etc. Quando se coloca um pensamento na mente pode se tornar escravo. A compulsão, como aspecto físico, seria o gatilho acionado mediante a utilização de alguma substância.

O egocentrismo nos leva a acharmos que estamos sempre certos, já que uma mente egocêntrica não pode conceber nada maior ou mais importante do que ela própria.

Outros comportamentos como a impulsividade, o sempre agir sem pensar, fazem parte também de comportamentos adictivos: “O adicto tem o mecanismo da seguinte forma: pensa, sente e age. As pessoas não adictas normalmente:  pensam, sentem, elaboram as ideias e então agem.

A autocrítica reduzida também é um dos aspectos fortes do comportamento adictivo: “Não importa o que os outros falem ao meu respeito”. A autocrítica reduzida funciona como um sistema de defesas psicológicas que, como se tratasse de uma fortaleza, protege o indivíduo de reconhecer a natureza prejudicial de suas atitudes e, por isso, muitas vezes, leva à ocultação da continuação do processo de dependência.

Aí podemos abordar também a negação, que não deixa o adicto olhar para si mesmo como um todo e sim como se fosse um ser fragmentado.

Outras características que distinguem o comportamento adictivo são:

•Obsessão relevante, atribuição de uma importância anormal ou patológico de uma substância ou de um comportamento;

•Persistência, rigidez, inflexibilidade, estereotipia e repetição do comportamento particular;

•Imunidade em relação a consequências adversas e resistência à modificação do comportamento;

• A pessoa pensa constantemente no objeto, atividade, ou substância.

•Dificuldades nas relações interpessoais como consequência da adição (problemas físicos, trabalho ruim ou desempenho estudo, problemas com amigos, familiares, colegas de trabalho).

•Irritabilidade, ansiedade, agitação ou perda de controle;

•Baixa autoestima e depressão.

Todos estes comportamentos estão muitos integrados, como se fosse uma cadeia alimentar onde um comportamento doente se alimenta do outro.

De acordo com nossa experiência acreditamos  que não existe uma solução simples, cada caso é um caso, mas através dos avanços recentes de investigação clínica e da experiência empírica acumuladas a progressão destes comportamentos pode ser descontinuada  através do tratamento sério e de qualidade, da abstinência e do processo de recuperação juntamente com um novo modo de vida.

Se você se enquadra neste perfil ou tem algum familiar vivendo desta forma, peça ajuda hoje!
Clínica Grand House
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Tel: 11 4483 4524 / 4483 4684

Dependência química é diferente de vício

Psergio_varias2rimeiramente, vamos entender o que é a dependência química:

A dependência química é um estado resultante do uso habitual de drogas (ou qualquer substância química, incluindo álcool e até medicamentos), no qual existem sintomas físicos negativos de abstinência quando há interrupção abrupta e que é causada ou precipitada por um complexo de fatores genéticos, bio-farmacológicos e sociais.

A dependência química é uma doença crônica e reincidente, que envolve mudanças no cérebro que levam ao consumo compulsivo de drogas – sempre com conseqüências devastadoras. A decisão inicial de usar uma droga é voluntária, mas seu uso crônico pode precipitar mudanças cerebrais que comprometem os sistemas de recompensa, motivação e mesmo o livre-arbítrio.

Por que usamos o termo Dependência Química?

QUÍMICA” por que se refere ao fato de que o que provoca a dependência é uma substância química. O álcool, embora a maioria das pessoas o separe das chamadas “drogas ilegais”, é uma droga tão ou mais poderosa em causar dependência química em pessoas predispostas quanto qualquer outra droga – ilegal ou não.

Existe diferença entre a dependência e o vício?

A dependência é diferente de vício. O vício é caracterizado como um mau hábito e a dependência é caracterizada por uma necessidade compulsiva em relação ao objeto da compulsão, do desejo.

Vamos explicar melhor a diferença entre vício e dependência:

Dependência é o impulso que leva a pessoa a usar uma substância química de forma contínua (sempre) ou periódica (freqüentemente) para obter prazer. Para entender a dependência, o objeto de compulsão não é tão importante. Uma pessoa pode ser dependente do trabalho, do jogo ou das compras, das drogas, da comida, do álcool, de sexo – qualquer coisa feita de forma freqüente e compulsiva, da qual a pessoa não consegue se livrar e é absolutamente impotente perante ela.

No caso da dependência química, a pessoa é totalmente dominada pela substância, podendo passar pela SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA se privada do uso da droga ou álcool.

Vício (do latim “vitium”, que significa “falha ou defeito” ) é um hábito ou costume repetitivo adquirido que traz algum tipo de prejuízo ao viciado ou aos que com ele convivem.

Vício seria algo como um mau costume: por exemplo – roer unhas, mascar chicletes, mudar sempre os móveis de lugar, comer chocolate, pensar de forma negativa etc.

Todos nós temos algum tipo de vício, seja mais ou menos nocivos. Porém, o vício é normalmente algo ruim, pois cria padrões de comportamento, o seu oposto é a virtude.

“Toda forma de vício é ruim, não importa que seja droga, álcool ou idealismo.” Carl Gustav Jung

Para entender melhor o vício: uma pessoa que tem o hábito de fumar, não tem vício por cigarro e sim uma dependência por cigarro, pois sua falta traz fissura, nervosismo, desconforto físico e um desejo incontrolável – a pessoa não vê a hora de poder fumar novamente. Existe, no caso do cigarro, uma dependência física e psicológica – não é simplesmente um vício. Muitas vezes o fumante necessita, para abandonar o cigarro, recorrer a medicamentos, tratamentos específicos ou mesmo grupos de auto-ajuda.

Temos evidências de que os mecanismos cerebrais de dependências comportamentais, como, por exemplo, o prazer no jogo compulsivo, são similares aos produzidos por drogas. As substâncias psicoativas interferem nos mecanismos de recompensa, controlados pelo neurotransmissor dopamina. A maioria das drogas aumenta exageradamente a produção de dopamina, o que sobrecarrega o sistema de motivação e afeta circuitos cerebrais como a memória, a tomada de decisões e a motivação. No caso do jogo compulsivo, ele interfere nos mesmos circuitos cerebrais.

Drogas que causam tanto o vício quanto a dependência química:
As drogas que mais causam dependência são as ilegais assim como alguns remédios vendidos sob prescrição médica, o álcool e a nicotina. Entre as drogas que causam dependência estão:

Estimulantes:

* Anfetaminas e meta-anfetaminas.

* Cocaína.

* Nicotina.

* Maconha.

Sedativos e hipnóticos:

* Álcool.

* Barbitúricos.

* Benzodiazepinas.

* Metaqualona.

Opiatos e analgésicos opióides:

* Morfina e codeína.

* Opiatos semi-sintéticos como heroína

* Opiatos sintéticos como fentanil

Além das citadas aqui existem várias outras substâncias que podem causar dependência que atualmente considera-se possuam valor médico e só podem ser usadas com orientação médica.

Em qualquer caso em que há dependência, o indivíduo necessita ser tratado.

Qual a perspectiva de cura através de tratamento específico?

Os tratamentos mais eficazes incluem as terapias comportamentais (além de outros recursos, por exemplo medicamentos nos casos em que há transtornos psiquiátricos). Para as dependências severas, necessitamos de um sistema de cuidados crônicos, com a consciência de que recaídas podem acontecer e devem ser rapidamente tratadas.

O importante é que haja a conscientização de que a dependência requer tratamento, seja ela qual for.

Sergio Castillo Diretor Terapêutico – Clínica Grand House