Casamento: uma prescrição perfeita para prevenir o alcoolismo?

2007-099962-_20071217Uma equipe de investigadores da Virginia Commonwealth University nos Estados Unidos e da Lund University na Suécia descobriu que o casamento pode “reduzir significativamente” o risco de uma pessoa se tornar alcoólatra.

De acordo com a nova pesquisa recentemente publicada, o risco de desenvolver uma DESORDEM DO USO DE ÁLCOOL (tradução de AUD – Alcohol-Use Disorders) quando alguém passa por um divórcio é sete vezes maior para as mulheres e quase seis vezes maior para os homens comparado àquelas pessoas que não se divorciaram.

Os resultados também afirmam que o risco para a DESORDEM DO USO DE ÁLCOOL é elevado para um gêmeo idêntico se ele se divorciar (porém em um grau bem menor), o que sugere ainda que o casamento em si pode proteger contra a DESORDEM DO USO DE ÁLCOOL e não necessariamente qualquer questão genética ou característica ambiental.

“Os resultados são uma ‘chamada para o despertar’ para lembrar aos clínicos a respeito da importância dos fatores sociais e psicológicos para o alcoolismo”, declarou o principal autor do estudo (o professor Kenneth S. Kendler do Departamento de Psiquiatria na Universidade Commonwealth de Virginia em Richmond nos Estados Unidos) ao Medscape Medical News.

“Isso não é apenas um problema em nossos genes ou em nosso cérebro, mas também está fortemente relacionado com aspectos-chave da experiência humana, como ter relacionamentos carinhosos”, acrescentou.

O estudo foi publicado on-line em 20 de janeiro pelo American Journal of Psychiatry.

Mantendo um ao outro em cheque

Pesquisas mostram que as pessoas divorciadas e solteiras normalmente bebem mais do que aqueles que são casadas, mas a razão para isso ainda não é clara.

“Não houve um estudo sistemático e de grande escala como este para nos dar mais informações sobre a natureza causal” da relação, disse o Dr. Kendler.

Ao tentar esclarecer essa relação, os pesquisadores usaram várias abordagens analíticas.

Com base nos registros nacionais, os pesquisadores identificaram 942.366 indivíduos nascidos na Suécia entre 1960 e 1990 que estavam casados e residiam com seu cônjuge em ou após 1990 e que não tinham a DESORDEM DO USO DE ÁLCOOL antes do casamento.

As bases de dados nacionais suecas fornecem informações sobre hospitalizações e visitas médicas para doenças como pancreatite relacionada ao álcool e doença hepática, bem como problemas legais relacionados com o álcool, como dirigir enquanto está embriagado.

A idade média de casamento dessas pessoas era de cerca de 30 anos; o início da DESORDEM DO USO DE ÁLCOOL ocorreu 8 a 9 anos mais tarde. Durante o seguimento, 16% dos homens e 17% das mulheres se divorciaram e 1,1% dos homens e 0,5% das mulheres desenvolveram a DESORDEM DO USO DE ÁLCOOL.

A análise concluiu que o divórcio estava fortemente associado ao aparecimento subsequente da DESORDEM DO USO DE ÁLCOOL em homens (razão de risco [HR], 5,98, intervalo de confiança de 95% [IC], 5,65 – 6,33) e em mulheres (HR, 7,29, IC95% 7,91).

Os pesquisadores analisaram três potenciais fatores de confusão, que, por sua própria conta, previram substancialmente o risco da DESORDEM DO USO DE ÁLCOOL. Os resultados foram: 1) baixa escolaridade dos pais (que é um marcador para o status socioeconômico); 2) uso de droga anterior ou problema criminal e
3) histórico familiar de DESORDEM DO USO DE ÁLCOOL.  Somando esses fatores apenas diminuíram modestamente as associações com o divórcio para homens e mulheres.

A associação entre o divórcio e o desenvolvimento de uma DESORDEM DO USO DE ÁLCOOL foi muito mais forte em ambos os homens e mulheres se o cônjuge não tinha uma história de vida de DESORDEM DO USO DE ÁLCOOL.

Isso, disse o Dr. Kendler, pode ser porque um cônjuge que bebe “incentiva o comportamento de beber juntos” e aponta para a importância do acompanhamento do casal para controlar o consumo. “Em relacionamentos de casamento, onde há a DESORDEM DO USO DE ÁLCOOL, há esse ‘fenômeno de verificação’ onde os cônjuges se conferem um ao outro.”

Números “dourados”

Os pesquisadores pretenderam esclarecer ainda mais a associação entre divórcio e a DESORDEM DO USO DE ÁLCOOL ao analisarem os parentes próximos. Eles identificaram pares de parentes casados: pares de irmãos completos, pares de primos nascidos dentro de 3 anos uns dos outros e pares de gêmeos monozigóticos.

“O problema que enfrentamos aqui é que temos dois fenômenos: temos o divórcio e temos problemas de álcool subsequentes, e estamos tentando descobrir se o divórcio, ou a mudança no estado civil, causa os problemas de álcool ou se há alguns traços compartilhados que o torna mais vulnerável ao divórcio e o torna vulnerável a beber “, disse o Dr. Kendler.

Os pesquisadores usaram a abordagem “correlativa”, que controla os traços e comportamentos familiares de confusão. Isto, disse o Dr. Kendler, é “o aspecto mais romântico da análise”.

Como gêmeos monozigóticos compartilham genes comuns e ambiente infantil, o ideal seria comparar esses conjuntos de gêmeos nos casos em que um dos dois se divorciaram e o outro não. Como essas situações eram muito raras nas amostras, os pesquisadores desenvolveram um modelo no qual os resultados de uma série de pares de parentes poderiam ser estimados a partir dos dados observados.

Esse modelo mostrou que a FC prevista para a DESORDEM DO USO DE ÁLCOOL entre gêmeos monozigóticos foi 3,45 nos homens e 3,62 nas mulheres.

Esses números são “de ouro”, porque na ausência de um julgamento randomizado, o que seria impossível projetar neste caso, este “design humano” fornece “sobre o melhor grupo de controle que você nunca vai encontrar”, disse Dr. Kendler.

Os resultados revelam que na população geral de homens, se divorciar aumenta o risco de DESORDEM DO USO DE ÁLCOOL em seis vezes, mas em gêmeos monozigóticos, o risco aumenta apenas 3,5 vezes.

O que isso está dizendo é que um pouco mais da metade desses seis é provavelmente causal, e o restante – cerca de 2,5 HR – é apenas um monte de fatores que faz com que você seja mais propenso a DESORDEM DO USO DE ÁLCOOL.

Portanto, o que mais uma vez concluímos é apenas algo que temos comprovado diariamente: o alcoolismo tem inegavelmente traços hereditários, porém é uma doença multifatorial e que pode estar associada a problemas sociais, culturais, psicológicos e até profissionais.

 

Contribuição de Raphael Angelo 
Psicólogo da Clínica Grand House
Especialista em Mindfulness 
Clínica Grand House
www.grandhouse.com.br
Tel: 11 4483-4524 / 4419-0378

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