Quatro dicas para controlar a codependência

CODEPENDÊNCIA é um termo utilizado pela área de saúde para se referir às pessoas ligadas emocionalmente a uma pessoa com dependência de uma substância (como álcool ou outras drogas) ou de um comportamento problemático e destrutivo (como jogo patológico ou um transtorno de personalidade).

O codependente passa a acreditar que sua felicidade depende da pessoa que tenta ajudar e assim se torna dependente dele emocionalmente, sendo excessivamente permissivo, tolerante e compreensivo com os abusos do outro, mesmo que este seja excessivamente controlador, perfeccionista e autoritário.

No caso da dependência química, o codependente (que pode ser filho, cônjuge, ou amante de um dependente químico) é geralmente alguém que desenvolve um padrão doentio de lidar com a vida, numa reação ao abuso de álcool ou drogas praticadas por outra pessoa. É comum que o codependente coloque as necessidades do outro, acima de suas próprias e que desenvolvam duplo vínculo.

Conforme o uso de drogas vai se agravando a codependência também evolui para atender as necessidades crescentes da doença: a negação do codependente, a facilitação do uso, a resolução dos problemas do dependente ou suprindo as necessidades dele. Tudo isso representa, no entanto, uma tentativa frustrada de não ver a doença agravando e a falsa esperança de que os problemas do sujeito com a droga irão se resolver sozinhos mais cedo ou mais tarde.

Dificilmente um codependente consegue identificar e assumir seu próprio transtorno, via de regra ele nega sua “doença” tanto quanto o próprio dependente químico. O codependente culpabiliza o dependente químico por todo o seu sofrimento.  Ele precisa de ajuda especializada e via de regra só vai olhar para o seu próprio problema depois que a situação já se agravou muito e chegou a um patamar insuportável.

Seguem abaixo 4 dicas para “CONTER” a codependência e começar a contribuir para a sua recuperação e recuperação do dependente químico:

1) TORNAR AS COISAS MAIS DIFÍCEIS PARA O DEPENDENTE QUÍMICO, NÃO FACILITAR O USO:

O dependente químico usa drogas e pessoas. Em geral, a condição financeira e emocional que permite que ele siga usando drogas é fornecida pelos codependentes. Quando essa condição é eliminada, surge um obstáculo para o dependente siga seu padrão de consumo. São comuns casos em que o dependente opta por iniciar ou dar continuidade ao tratamento porque sabe que seus pais (ou outros familiares) não o receberão em casa se ele não tiver concluído o tratamento. Nesses casos, os familiares conseguem abandonar o papel de codependentes e facilitadores e o dependente perde a estrutura que utiliza para seguir usando drogas.

Nos casos em que os familiares continuam fingindo que não há nada errado, continuam a fornecer dinheiro ao usuário (financiando o consumo e a dependência da pessoa), permitindo que o mesmo utilize as substâncias dentro da própria casa (porque é mais seguro do que usar na rua ou com os amigos), ou sempre relevando a gravidade do problema, o resultado será sempre muito negativo.

2) PERCEBER QUE A CULPA, RAIVA, PENA E MEDO SÃO OS PIORES SENTIMENTOS DA CODEPENDÊNCIA, QUE CONTRIBUIR PARA AGRAVAR A DOENÇA:

É difícil o codependente perceber que seus comportamentos estão agravando a situação do dependente químico, pois eles normalmente são confundidos com “bondade”, “amor” e “proteção”.

Esses comportamentos são facilmente justificáveis dizendo que não querem que o dependente sofra ainda mais, que só estão tentando fazer com que ele se sinta melhor ou esperando que fique sensibilizado para se tratar. Na verdade, estão apenas alimentando a doença.

Se alguém convive com um dependente químico e sente culpa, raiva, pena ou medo, é grande a chance de estar assumindo o papel do codependente, pois esses sentimentos levam as pessoas a três ações que agravam a doença: 1) tratar o dependente como uma criança fazendo tudo por ele, 2) desqualificá-lo ou 3) simplesmente abandoná-lo. Nenhuma das três opções contribui para a sua recuperação.

A adoção de uma postura baseada em brigas constantes, críticas severas ou castigos, quando os familiares descobrem que uma pessoa faz uso de substâncias não a impede de continuar usando. Apenas fará que o usuário esconda o fato da família.

De um modo geral os codependentes são pessoas ressentidas, sentem grande raiva permanente de alguém, agarram-se à necessidade de punir a pessoa para reparar o sofrimento que acham que sofreram causado pelo dependente químico. Porém nada disso resolve o problema, todos esses sentimentos só levam o codependente e o dependente ao abismo, o que resolve de fato é buscar ajuda especializada e se submeter ao tratamento.

3) DEIXAR DE TRATAR O DEPENDENTE QUÍMICO COMO A PRIORIDADE DA SUA VIDA:

Quando se pergunta ao codependente qual é a prioridade da sua vida, normalmente ele citará o dependente. O movimento patológico da codependência vai levando a pessoa a colocar a si mesma e os seus planos em segundo lugar, enquanto traz gradualmente o dependente para o centro da sua vida. O trabalho com os codependentes é devolver o posto de prioridade da vida para seus sonhos e sua própria felicidade.

Perceba que você também possui necessidades que são importantes e você precisa ter controle da sua própria vida e fazer as suas coisas independentemente dos outros. Você pode se comprometer e reconhecer as necessidades do outro, mas você tem que se lembrar igualmente que você tem que viver sua vida, para além do relacionamento.

4) INICIAR UM TRATAMENTO PARA A SUA CODEPENDÊNCIA É UMA BOA MANEIRA DE DAR INÍCIO À RECUPERAÇÃO DO DEPENDENTE QUÍMICO:

O tratamento da família deve ser iniciado antes mesmo do dependente químico? Exatamente.

Como sabido pela maioria dos profissionais da área, a família é um dos maiores obstáculos ao tratamento do dependente. Seja adiando o tratamento, seja entrando na manipulação dele e interrompendo o tratamento no meio ou até boicotando sua recuperação depois que ele sai de uma internação.

A família acaba impulsionando-o, de forma inconsciente, novamente ao uso de drogas. Por exemplo: quando resolvem comemorar a saída dele com um churrasco regado a cerveja, quando deixam bebidas alcoólicas a vontade em casa porque acha que ele já está recuperado e não corre mais risco, quando tratam-no como um bebê que precisa de todo cuidado e controle possível, quando trata-o como um irresponsável que não é capaz de nada, quando jogam o passado à tona, tudo isso confirma que estão inconscientemente induzindo-o ao uso de drogas!

Isso sem falar na família que o recebe com alegria quando ele resolve abandonar o tratamento no meio, acreditando na promessa de que não usará mais drogas.

Por isso, começar o tratamento pela codependência da família, antes mesmo de tratar o dependente, é uma ótima estratégia.

Recomenda-se que os familiares frequentem o profissional de saúde especializado no tratamento das dependências químicas, mesmo que em um primeiro momento o próprio usuário não queira se envolver em tratamento.

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O que é ser “Adicto”

Um adicto é simplesmente um homem ou uma mulher cuja vida é controlada unicamente pelas drogas. A “droga” pode, na verdade, representar qualquer coisa que o escravize – o termo “adicto” generaliza vários tipos de dependências: álcool, drogas ilegais, drogas medicamentosas, jogo, sexo, comida, dentre outros.

Quando na ativa, todos os pensamentos de um adicto estão centrados na sua droga de preferência, seja para obter, usar ou encontrar maneiras e meios de conseguir mais.

Ser um adicto na ativa é estar nas garras de uma doença progressiva, que avança sempre da mesma maneira: perdas imensas, prisões, loucura, internação em instituições ou morte.

O adicto não consegue viver e apreciar a vida como as outras pessoas. Ele vai sempre colocar o uso de drogas acima do bem-estar de suas famílias, esposas, maridos e filhos.

Ele precisa usar as drogas a qualquer custo e para isto acaba prejudicando muitas pessoas, mas, principalmente, prejudica a si mesmo e se torna incapaz de encarar a vida como ela é.

Na doença ativa da adicção, a maioria ruma lentamente ao suicídio – a doença é um inimigo tão traiçoeiro da vida que o usuário perde o poder de fazer qualquer coisa.

No ápice da doença falham os esforços repetitivos para interromper o comportamento compulsivo e quebrar o ciclo vicioso, ocorre um esvaziamento da força de vontade individual, o aumento do isolamento, sentimentos de inadequação, resignação, baixa autoestima, sentimento de impotência, ansiedade e desespero.

Os comportamentos mais comuns são: a negação do problema, a ambivalência, a desresponsabilização, a pessoa nega, defende seu comportamento, minimiza a gravidade, justifica, culpabiliza os outros ou circunstâncias pelo problema, ambivalência (por um lado quer mudar, parar de usar, por outro não), adia a resolução do mesmo, o seu nível de consciência sobre o seu comportamento, seus efeitos, responsabilidades e meios para mudar é muito reduzido ou até nulo.

O termo “dependente químico”, é na verdade mais utilizado do que “adicto” por vários segmentos, principalmente pelo meio médico especializado. Não define só, a dependência de drogas ilegais, ou álcool, mas também de drogas medicamentosas.

Uma característica básica, da adicção por drogas ou álcool é a que todos os dependentes químicos têm tolerância, às substancias psicoativas, inclusive o álcool. Quem não tem tolerância não é dependente químico.

Vamos a explicação lógica: Muitas pessoas, bebem um drinque ou dois nos fins de semana, um copo de vinho ao dia ou duas cervejas no sábado. E fazem isto, por toda a vida. Como podem? Bem, elas não têm tolerância ao álcool, não são dependentes químicos.

O que é a tolerância? É a medida da satisfação, ou seja, 1 ou 2 cervejas bastam, 3 ou 4 já deixam o indivíduo “tonto”, causando a sensação de “alegria”. Esta medida, vai se repetir, por toda a vida daqueles que não tem tolerância a bebida/drogas.

Aqueles que tem a tolerância, ocorre o contrário: no início, é a mesma medida, 3 ou 4 cervejas e já satisfazem. Com o tempo, para atingir o mesmo nível de satisfação inicial, este indivíduo irá precisar tomar 5, ou 6. Depois 7, ou 8.

Consequentemente, ao invés de 2 ou 3 doses, com o tempo, uma garrafa de destilado. Conjuntamente, a tolerância vem acompanhada da compulsão (basicamente é a incapacidade de parar de usar ou beber enquanto: não terminar a substância ou a pessoa “apagar”, existe a necessidade de “usar/beber” mais).

Esta é a dependência química, que daí por diante revelará as demais características: as comportamentais, e emocionais. É uma doença biológica (tolerância) psicológica (compulsão), social (comportamentos) e espiritual (ausência de Deus, e egocentrismo).

O jogador compulsivo, ou adicto pelo jogo, não tem ou não se manifesta a tolerância, pela ausência da substancia em si, mas sim, a compulsividade, que também é parte da doença. O jogador, sente um prazer parecido com o das drogas, quando está jogando, e a mesma depressão e necessidade ou fissura, pelo jogo, quando não o tem. As demais características, sociais e espirituais, também estão presentes.

A doença causa muito sofrimento para o próprio indivíduo e para todos que o cercam e não se conhece uma cura específica, mas sabemos que ela pode ser detida em algum ponto e a recuperação é totalmente possível. A recuperação não uma tarefa nada fácil, porém não é algo tão raro, depende em grande parcela do próprio indivíduo pois requer mudanças profundas nos comportamentos e estilos de vida.

Nunca é fácil fazer mudanças bruscas na própria existência, porém no caso do dependente elas se tornam ainda mais difíceis pois a substância química “grita” para permanecer ativa na mente do indivíduo. Porém, com ajuda, fé e perseverança e possível a mudança, é possível dar uma guinada de 360° – este é o grande passo para rumo a verdadeira recuperação.

O princípio da mudança só começa com a conscientização e rendição. A pessoa deve reconhecer e aceitar que tem um problema e que precisa de ajuda, apesar de querer mudar e não saber como. O indivíduo começa a ficar dividido, a luta interna permanece, mas ao mesmo tempo começa a dar uma oportunidade para si mesmo e aceita ajuda, ele começa a ver que pela própria força de vontade isolada ele não consegue fazer nada. O indivíduo começa a perceber que existem motivos fortes para mudar e, ao aceitar apoio, começa a sentir que é capaz de superar, aceita a própria falência.

Aceitar as perdas e as próprias limitações requer humildade, aceitar que com mecanismos internos neurológicos tão poderosos e que precisa de muita ajuda requer algo que se chama: rendição. No momento que começa a assumir para si próprio a sua própria derrota, ele já começa a ganhar e com a ajuda adequada, fé e esperança, ele começa a entrar em recuperação.

O importante é sair da “paralisação’ da culpa, da vergonha, da frustração que a dependência química causa e identificar o que está acontecendo e aceitar que precisa de ajuda, aceitar ser ajudado.

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