A importância da elaboração do luto na dependência química

Nossa vida no geral é permeada (do nascimento até a nossa partida) de situações de ganhos e perdas.
O sentimento de luto está presente em todo tipo de perda de questões consideradas fundamentais: a morte de alguém querido, a perda de um animal de estimação, de uma posição social, de um ideal, de um sonho, de uma esperança ou ainda de um sentimento vivido. O luto é algo inevitável após qualquer perda e não pode ser ignorado!

Muitos sentimentos vêm à tona durante o luto e muitos se questionam se o que estão sentindo é normal ou não. As emoções presentes são variadas e oscilam com uma intensidade que foge do estado conhecido de quando o indivíduo não estava enlutado. É um processo confuso e perturbador, mas, apesar de todo o desconforto, é um trajeto necessário para ocorrer a elaboração.

Importante considerar que o processo não deve ser apressado por amigos ou familiares, por mais bem-intencionado que seja o desejo de aliviar a angústia da pessoa enlutada, pois para alguns o luto pode levar mais tempo do que para outros. Da mesma forma como todos nós amamos de um jeito singular, também sofremos a perda de um jeito que não pode caber em um formato único, a forma de vivenciar a perda é singular para cada um.

E a forma de sobreviver ao luto é permitir que a dor exista, sem tentar encobri-la ou apressá-la, tudo precisa ter o seu espaço e o seu tempo certo.

No processo de tratamento e recuperação da dependência química, a questão do luto não é diferente, as perdas são muitas e precisam ser vividas e superadas.

Vejamos aqui alguns dos lutos necessários no processo de recuperação da dependência química:

  • A própria substância: a droga, o álcool, medicamento (ou outra substância) é uma velha amiga de quem muitas vezes se depende para afastar o “sofrimento”, para ajudar a sentir que há um certo controle sbbre cada situação.  O uso da substância é capaz de ilusoriamente proporcionar uma opinião e visão melhor sobre si mesmo. De repente o indivíduo fica sem sua “muleta” e vem aquele sentimento de que ele terá que “aguentar” tudo sozinho sem qualquer tipo de “alívio”. Parece insuportável pensar em enfrentar tanto sofrimento totalmente sóbrio. No entanto, através de seu despertar espiritual o adicto descobre que é possível viver bem sem a bebida e qualquer outra droga e assim começa a renascer.
  • Os amigos: quando se para de usar simultaneamente se deixa de lado um velho círculo de amigos (que antes usava a droga junto). Não é possível voltar mais a este círculo de amigos com os antigos hábitos, pois certamente haverá recaídas. Após a mudança de percepção durante seu processo de recuperação, o indivíduo começa a desenvolver a capacidade de construir novos relacionamentos, novos amigos – todos calcados em uma base mais sadia, longe do uso de qualquer substância. A incapacidade de modificar o comportamento dos outros já não lhe tirará mais o sossego, ele passa a aceitar que só pode mudar a si mesmo, ficando a partir daí a responsabilidade da recuperação para o próprio dependente químico.
  • Uma relação afetiva: quando um relacionamento amoroso termina por causa do uso de drogas, com frequência se perde não só esta pessoa, mas todo círculo de amigos e familiares em torno dessa pessoa. Isto cria um grande espaço de tempo vazio durante o qual o dependente químico normalmente se sente sozinho, sentimento bastante doloroso.  A antiga relação amorosa deste adicto, agora em recuperação, ainda que doentia, trazia a ilusão de segurança, pois de alguma forma ele já sabia se posicionar e lidar com ela. Por isso, o novo passa a ser muito ameaçador. Com uma nova percepção da realidade, o dependente químico em recuperação pode ser capaz de estabelecer dinâmicas de relacionamentos mais digna e saudável (seja com a mesma pessoa ou então em um novo relacionamento) e de um gratificante processo de evolução pessoal, emocional e espiritual, onde consiga se responsabilizar pelos próprios atos e sentimentos e voltar a ser feliz.
  • A família: A família geralmente é arrastada para um furacão quando um membro desenvolve a dependência química. Após tantas perdas, o adicto precisa a aprender a lidar com os membros da família desempenhando um papel bem diferente de quando usava drogas. Inevitavelmente ele se sentirá muito perdido em relação a este novo papel pois o fim dos papéis adotados anteriormente e vividos dentro desta dinâmica familiar doentia, representa um luto, tudo agora se torna diferente. Com o evoluir do tratamento adequado a família (assim como o dependente) encerra o processo de luto e finalmente aceita a morte de seus relacionamentos dependentes e doentios. E assim tanto o dependente quanto os familiares conseguem conquistar serenidade e a determinação para construir uma “nova” vida.
  • Emprego: Muitas vezes o uso de drogas foi a causa da perda de um emprego (ou mesmo de uma série de empregos). Isto pode ser uma perda extremamente difícil se o sentimento de identidade dependia deste emprego. Para muitos, uma grande parte da autoimagem está associada ao que se faz para ganhar a vida; um processo difícil a ser enfrentado. No entanto, com o resgate total de sua vida, o adicto pode ser capaz de resignificar seu trabalho, sua missão e buscar garra para conquistar (ou reconquistar) seu espaço profissional.
  • A autoimagem e a auto estima: Sob a influência de substâncias químicas, o adicto acreditava que cuidava bem de sua família, que era responsável e carinhoso, pensava que controlava as situações e que a droga não o prejudicava ou aos que estavam ao redor. Mas quando se toma a decisão de parar, ele começa a tomar consciência de que não era esse o caso e sim que não tinha o controle sobre a adicção ou sobre nenhuma situação.

Tomar consciência disso constitui um terrível golpe para a maioria e destrói a autoestima e as ilusões a seu respeito. Ele acaba se vendo como alguém destruído, desamparado e sem espaço em nenhum lugar. Passando por um tratamento aonde o adicto realmente comece a se encontrar ele passará a lidar com as perdas de forma mais tranquila e começará a desejar e investir na recuperação enfrentando o fim de seus relacionamentos doentios e resgatando sua própria vida, bem como sua autoestima e a autoconfiança.

Quer se esteja apenas começando a se recuperar da dependência química ou de outro tipo de dependência ou mesmo se encontre há vários anos num programa de doze passos, o luto é uma coisa que todos enfrentam ao longo da vida.

A perda e o luto fazem realmente parte da vida e não há como fugir deste fato. Ninguém nunca está preparado para lidar com nenhuma perda ou para desapegar de coisas que gosta ou está acostumado, inclusive o ser humano tem a tendência de ficar preso a algo mesmo quando não quer mais, como no caso, a droga.

Devemos entender que é necessário viver o luto em todas as suas fases, porém é preciso superar. E o superar não é esquecer nem fingir que nada aconteceu, significa aceitar e continuar a viver, retomar sua rotina, seu trabalho, voltar-se para seus amigos e demais familiares.

Nesse processo, a vivência da fé, para aqueles que creem, é de fundamental importância, pois ajuda a entender que o sofrimento faz parte da condição humana, e a morte e as perdas acontecem para todos, sem exceção.

Quando tudo isto é entendido pelo dependente químico, a recuperação e o resgate pleno de sua vida passam a não ser mais um fardo e acabam se tornando um motivo para entusiasmo diário.

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Quando a primeira vez pode ser tarde demais!

A maioria de nós, especialistas da área da dependência química, é quase unânime em concordar que a melhor saída e prevenção contra drogas (sejam elas lícitas ou ilícitas) é simplesmente a não experimentação.

Porém, em uma sociedade que incentiva o ser humano a ingerir bebidas alcoólicas (e/ou outras drogas lícitas, como o cigarro) é difícil imaginarmos um jovem que nunca tenha experimentado (ou que não vá experimentar) qualquer tipo droga.

Se o primeiro gole pode ser a porta de entrada para o uso de outras substâncias, ficar só no álcool não deixa de ser também um perigo. O álcool é ilusório e lícito, e muitas vezes até muito incentivado pela nossa sociedade.

O uso (e abuso) de álcool, maconha, cocaína se tornou algo tão comum nos dias atuais, que muitos fazem de tudo para que essas drogas sejam vistas como supostamente “inofensivas” e cujo uso esporádico nem viciaria ou tornaria ninguém adicto.

No entanto, TODA droga, sem exceção, tem elevado poder de levar um ser humano a se tornar adicto e a dependência pode ser sim desencadeada desde o primeiro uso.

A cocaína, por exemplo, por conta de seus efeitos estimulantes, traz uma sensação de clareza de pensamentos e poder de estímulo que pode durar alguns momentos. O efeito consiste em uma duradoura euforia. A pessoa adquire um grande vigor e quer viver essa euforia constantemente.

O problema é que após o pico do efeito a necessidade de outra dose aparece e logo o usuário está fisgado, mesmo não querendo acreditar que já é um adicto e que necessita daquela sensação constantemente.

Os estados de alteração da percepção experimentados por quem usa a cocaína podem levar a quadros de irritação extrema, ansiedade e cansaço. Esses quadros, ocorrendo com frequência, podem facilitar o início de um quadro psicótico.

A associação da cocaína com o álcool traz um risco adicional, pois o fígado transforma essas duas substâncias em uma terceira, o cocaetileno, que potencializa os efeitos da droga e pode aumentar os riscos de morte súbita.

O tão temido crack, derivado da pasta de cocaína, tem também uma capacidade grande de corromper o cérebro e levar uma pessoa rapidamente a se tornar um forte adicto. Na primeira experimentação, já pode se instalar a dependência química. Realmente um tipo de droga devastadora e com alto poder destrutivo.

A maconha, apesar de ser tão defendida como “inofensiva” por muitos grupos da sociedade que buscam a liberação, causa também dependência e crise de abstinência. Poucos meses de uso constante já podem gerar perda da capacidade de concentração, insônia e mau humor e, dependendo da constância do uso, pode levar até mesmo a crises psicóticas.

E, o álcool, apesar de ser uma droga lícita, causa forte dependência se utilizado constantemente e de forma prolongada. Os dependentes de álcool têm crises de abstinência terríveis, apresentam tremores, aumento da pressão, agitação excessiva e perda da clareza para avaliar as coisas. Há ainda casos mais graves que podem resultar em alucinações e delírios, além de convulsões. Portanto, álcool não é uma droga “leve” e já no primeiro uso a pessoa pode começar a gostar muito do efeito da mesma e passar a fazer uso constante.

Mais uma vez é importante ressaltar que qualquer uma destas drogas leva rapidamente à dependência, portanto se alguém disser que usa cocaína ou maconha “eventualmente’, duvide, pois, esse usuário apenas está no caminho da dependência e precisa de auxílio especializado para se livrar do vício.

Existe uma imensa variedade de drogas disponíveis sejam elas naturais (maconha, ópio), sintéticas (como o ecstasy e o LSD) ou semi-sintéticas (como a heroína, cocaína e crack), além do álcool, mas todas elas têm o seu poder de atração sobre o ser humano e todas causam forte dependência.

Muitas pessoas, a grande maioria, se “apaixona” pelo efeito das drogas logo no primeiro uso, portanto a primeira vez é algo determinante e pode dar início a uma séria dependência química, principalmente se a pessoa tiver a propensão.

E sempre é bom ter em mente que não só o corpo se torna dependente, as drogas causam danos psicológicos e sociais intensos, as perdas na vida de um dependente químico são sempre avassaladoras e infelizes.

Portanto, não se deve banalizar o uso de nenhuma droga. Existem pessoas que jogam uma vez na loteria e ganham, existem usuários que se tornam dependentes numa única tragada!

Portanto, ter consciência do problema e evitar ainda é a melhor saída.

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As drogas e a impotência masculina

Um dos temas que mais aterrorizam os homens é:  a “ impotência masculina”.  A falta de ereção ao tentar um relacionamento sexual é uma das coisas que mais assombram a vida do sexo masculino.

Basta ver o quanto o homem fica incomodado com a pergunta se ele já “falhou” (vulgo “broxou”) em alguma relação sexual. A impotência masculina é (e sempre será) mais do que um tabu, será sempre um “fantasma” para o universo masculino.

Muitos se utilizam de drogas para perder a inibição e ter melhor performance no sexo e a grande ironia é que, em pequenas doses, drogas como o álcool e o cigarro podem vir a aumentar o desejo sexual e a excitação em um primeiro momento.

Acreditar nisto e se valer do uso de substâncias para aumentar a potência é uma grande armadilha, pois, até mesmo sem perceber, a quantidade usada geralmente vai aumentando. No entanto, é comum que o uso abusivo de drogas ou álcool inverta a situação e cause a impotência sexual em muitas relações frustradas.

A comunidade médica alerta que o álcool e a nicotina causam alterações vasculares severas que podem a vir dificulta a ereção. Já a cocaína e maconha, se usadas em altas doses, colocam a libido em um lugar bem distante, assim como a fissura pelo uso de drogas sintéticas, como o ecstasy e o LSD.

Uma grande parcela de homens com dificuldade de ereção recorre a remédios, porém, estes também podem ser grandes vilões para a saúde masculina e podem colocar a vida em risco.

Alguns obstáculos como medo, vergonha, desinformação e erro de percepção impedem o homem de buscar o tratamento adequado ao aparecimento dos primeiros sintomas. Ficam tardando, ignorando a questão, enquanto o problema vai se agravando a cada dia que passa.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, existem hoje no País 6 milhões de homens com disfunção erétil e, ao redor do mundo, o número pode chegar a 300 milhões.

Os homens precisam superar as barreiras e buscar ajuda médica e psicológica para fazerem o tratamento adequado. Quanto mais se demora para buscar ajuda mais sofrimento e transtorno isso representa, não só para eles, mas também para suas parceiras.

A impotência masculina, na maioria das vezes, tem cura e o primeiro passo é o diagnóstico correto. Ou seja, após ser detectada por intermédio de um diagnóstico clínico, existirão vários recursos para tratamento, é necessário apenas coragem para enfrentar os diversos dilemas internos que acompanham a impotência masculina.

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Mudanças de comportamento: um sinalizador para o uso de droga

Sinais-uso-de-drogas-700x330A maioria das pessoas fica devastada quando descobre que há um dependente químico na família. Por isso, estar atento às mudanças de comportamento de uma pessoa próxima representa evitar que essa doença progrida até o ponto que seja fatal e irreversível.

Um dependente químico, quase que invariavelmente, esconde da família essa patologia e muitas vezes a família passa anos convivendo com a doença e não percebe (ou melhor, não quer perceber), pois desconhece ou ignora os sinais. A família não aceita o fato, pensa em fracasso e acaba se desestruturando totalmente, adoece.

Se você tem notado mudanças no comportamento do seu filho (ou familiar) talvez esteja na hora de vencer seu próprio preconceito e começar a buscar ajuda.

Listamos abaixo alguns indícios que podem denunciar o envolvimento de seu filho (ou familiar) com as drogas:

Baixo rendimento escolar ou profissional
Se o seu filho, de uma hora para outra aparece com notas baixas, faltas injustificadas e recusa-se a estudar e fazer as tarefas, é sinal de que algo não está normal.
O mesmo pode ocorrer em relação ao trabalho de seu familiar, caso ele tenha um emprego. O desinteresse repentino pode estar associado ao uso de substâncias psicoativas.

Começam a haver faltas injustificadas, desatenção incomum, não cumprimento dos seus deveres, recusa em praticar esportes e exercícios físicos.

Isolamento
Um dos maiores traços de um comportamento que denuncia o adicto é a distância afetiva e o isolamento. Se aquele ser humano é próximo da família e começa a se distanciar e, ao mesmo tempo também perde o interesse em estar com os amigos, é um grande sinal de alerta.

O usuário de drogas passa a encontrar prazer e satisfação somente na substância psicoativa, e outras atividades acabam perdendo a graça, qualquer interação social já não faz mais sentido. É comum também que passe horas a fio trancado em seu quarto.

Uma nova turma de amigos sugere que houve uma mudança nos interesses do jovem.

Normalmente ele passa a encontrar prazer somente quando está usando a substância, por isso, também é bom analisar os amigos com quem anda.

Mudanças repentinas de humor e agressividade
Se você tem notado que seu filho (ou familiar) responde com agressividade quando questionado sobre onde esteve ou quando é feita qualquer outra cobrança, preste atenção.

O desrespeito frequente às regras e rotinas da família, os comportamentos que são física ou verbalmente abusivos para com os achegados assim com sinais de irritabilidade, inquietação e impulsividade são fortes indicativos do abuso de drogas.

O comportamento de um dependente químico se torna paranoico, ansioso, imediatista, agressivo e/ou depressivo alternadamente, com alterações repentinas no humor.

Alterações do sono
Se a pessoa anda dormindo mais do que costumava dormir ou passa noites em claro, isso pode ser um alerta.

Algumas drogas causam sonolência, enquanto outras causam insônia.

Mudança dos hábitos financeiros
Um dependente químico precisa de cada vez mais dinheiro para sustentar seu vício e, em estágios mais avançados (junto com a falta de recursos próprios), começa a furtar objetos da própria casa, pedir dinheiro emprestado e ter atitudes suspeitas.

Sinais físicos de abuso de drogas
Olhos vermelhos, pupilas dilatadas, alterações no apetite ou sono, súbita perda de peso, deterioração da aparência física e hábitos de higiene pessoal, cheiros estranhos na respiração, corpo ou roupas, tremores, fala arrastada ou coordenação prejudicadas são fortes indicativos do uso de drogas.

Como lidar com o problema?
Se interesse pelo problema daquele que você quer ajudar, sem nunca o eximir de suas responsabilidades. Não tenha medo de perguntar se o consumo de drogas é o motivo das modificações de comportamento que você está percebendo.

Converse. Perguntas diretas e objetivas são boas quando servem para aumentar a compreensão do problema e não para tirar conclusões ou para fazer julgamentos. Por isso, não ter medo de perguntar ou de oferecer soluções (alternativas de tratamento) é a melhor forma de ajudar.

Busque ajuda profissional, na grande maioria das vezes o dependente químico só consegue se livrar das drogas através de ajuda profissional.

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Dependência Afetiva: o amor ou prisão?

dependenciaemocionalA dependência afetiva é um distúrbio de comportamento, muito comum em homens e mulheres e representa a necessidade que um ser humano tem de viver em função de outra pessoa. Esse comportamento é bastante evidente quando a presença do outro se torna indispensável, quando existe a urgência em encontrar e estar com o ser amado e a necessidade de fazer tudo para essa pessoa.

O dependente emocional necessita da aprovação, aceitação e reconhecimento do outro para lidar com as situações da vida, pois, não acredita no seu próprio valor, no seu poder de tomar decisões, fazer escolhas e até mesmo na sua capacidade de conquistar alguém e, muitas vezes, aceita relações destrutivas como um prêmio de recompensa.

É uma pessoa submissa e insegura, pois, sua percepção de si mesma é muito frágil. Sente-se incapaz de agir adequadamente sem o auxílio de outras pessoas e por isso recorre frequentemente aos outros para ser orientada, ajudada e direcionada, sendo que tudo isto surge da necessidade de satisfazer suas necessidades internas e não pelo desejo de estar na companhia da outra pessoa.

Um dos sentimentos que antecedem a dependência emocional é o medo crônico de ficar sozinho, que geralmente não chega de maneira isolada, é sempre originado por alguma outra situação. Um dos exemplos é a de ter passado por uma infância em que não se recebeu atenção e amor suficiente, a qual pode ter originado um enorme vazio interno. A pessoa vai então tentar preencher seu vazio com a vida e problemas de outra pessoa.

Quando falamos de dependência afetiva, não podemos deixar de mencionar o que acontece em relação à dependência química: chamada “codependência”.

O termo “codependência” é atribuído aos familiares de dependentes químicos que também apresentam uma dependência, não das drogas, mas emocional ou uma preocupação constante e fixa no dependente. A pessoa vive em função daquele dependente químico, deixando de viver a própria vida.

A maior parte dos codependentes vem de famílias disfuncionais, conflitivas, que demonstraram significativa fragilidade emocional e, por isto, contribuíram para o desenvolvimento e instalação da dependência emocional entre seus membros.

Em geral, o codependente viveu pouco amor, amparo, aceitação, segurança, coerência e harmonia familiar. Em muitos casos, houve rigidez de regras e críticas excessivas, abusos, violência psicológica e até física. Portanto, de modo geral, a pessoa desenvolve a Codependência já a partir da infância.

Para saber se você carrega sinais de dependência afetiva no geral, você pode fazer uma simples autoanálise:

  • Vivo em função de relacionamentos afetivos para estar feliz?
  • Meu bem-estar está ligado a sempre ter alguém ao meu lado?
  • Penso que morreria se esta pessoa que tanto amo um dia me abandonar?
  • Prefiro ser infeliz ao lado de alguém do que feliz estando só?

Se as respostas para as perguntas acima forem positivas, é sinal que a dependência afetiva pode estar se instalando ou até já virou uma característica comportamental.

Para se livrar deste sofrimento, a primeira coisa que o dependente afetivo deve fazer é tirar o foco da vida do parceiro e colocar nela mesma. Procurar se autoconhecer e se valorizar já são indícios de uma boa mudança.

A dependência afetiva também requer tratamento, portanto, é indicado que procure ajuda de um psicanalista ou psicólogo, ou de grupos anônimos como: o “Mulheres que Amam Demais (MADA)”, o “Dependentes de Amor e Sexo Anônimos (DASA)” e “Codependentes Anônimos (CODA)”, que oferecem ajuda e auxílio para quem está sofrendo com esse tipo de relacionamento.

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Alcoolismo na adolescência

O alcoolismo nunca foi um problema somente dos adultos. A questão também acomete as crianças e adolescentes. Hoje, no Brasil, existe uma grande preocupação o fato dos jovens começarem a beber cada vez mais cedo. Pior, ainda, é que certamente parte deles conviverá com a dependência do álcool (e talvez de outras drogas) no futuro.

A falta de educação e prevenção

Nossas crianças não são educadas e, por muitas vezes, não têm a estrutura necessária para que se tornem dependentes. As crianças simplesmente crescem e vão de encontro à adolescência sem estarem preparadas para a realidade e o álcool é uma das grandes portas para a fuga da realidade.

Os adolescentes não são instruídos e não tem noção dos riscos e danos que o uso e abuso do álcool vão causar em suas vidas (e na vida de outras pessoas) e muitas vezes, quando se dão conta, já se tornaram dependentes.

A maioria dos jovens busca ser parte de algo maior do que eles mesmos, e estão tentando se aceitar como são, esperando ser aceitos pelos outros e pela sociedade na sua totalidade.

Acabam por correr riscos desnecessários e, somente se tiverem tempo e discernimento mais tarde, se darão conta de que o álcool não era realmente necessário em suas vidas.

Por isso e por muitos outros motivos existem tantas dificuldades na adolescência para se dizer “não” ao álcool.

Início precoce

A ingestão de álcool na infância ou na adolescência aumenta muito as chances desses indivíduos se tornem alcoólicos e/ou dependentes químicos no futuro.

Os jovens acreditam que ao beber serão aceitos e terão mais facilidade para lidar com seus problemas e dificuldades da vida.

A dependência do álcool faz com que o jovem corra vários riscos (assim como todos ao seu redor), o que o atingirá em todas as áreas da vida.

Dependência

A dependência ocorre em uma fase aonde o adolescente começa a beber descontroladamente, seu pensamento, seus sentimentos e suas emoções estão confusos e tudo é muito novo. Essa junção de fatores faz com que o indivíduo beba em todas as situações.

As crises existenciais farão com que o indivíduo nem precise mais de algum motivo para beber, ou que já não saiba mais se os seus motivos são reais ou imaginários, pois, independentemente de qualquer coisa, ele irá beber.

A bebida alcoólica não abre somente a porta para a dependência do álcool, mas também levará o indivíduo a outras consequências do seu consumo, gerando outras doenças psicológicas e físicas, como, por exemplo:

Doenças psicológicas: delírios, alucinações, traumas, transtornos, depressão entre outros problemas.

Doenças físicas: problemas relacionados ao fígado, cirrose ou gastrite alcoólica, HIV (sexo sem prevenção), sistema digestivo e coma alcoólico.

Mortes prematuras

Inúmeras pesquisas indicam que cada vez mais aumenta o número de óbitos em adolescentes por consequências do uso do álcool em excesso, além de acidentes de trânsito, violência, homicídio, suicídio, coma alcoólico e diversos problemas causados pelo uso abusivo de álcool na adolescência.

O fato é que com uma prevenção mais eficaz durante a pré-adolescência, seja ela proposta pela própria família e também pelos órgãos competentes, esses dados podem ser reduzidos em grande escala, pois o álcool é uma das substâncias que mais mata jovens, adultos e idosos.

Isso tudo hoje é uma realidade assustadora e muito pouco divulgada, a juventude está se perdendo no álcool e não percebe que o uso abusivo dessa substância pode matar a longo prazo.

Declaração pessoal do autor do texto

Durante muitos anos venho vendo mais e mais jovens sofrerem e morrerem através do uso e abuso do álcool.

É necessário que se use todos os recursos de proteção para resguardar nossos jovens. Muitos especialistas na área e grupos de apoio estão travando uma batalha árdua no intuito de mostrar os grandes danos que a doença do alcoolismo pode causar, visto que é progressiva, incurável e fatal.

Porém, essa enfermidade pode ser contida, se devidamente tratada. Peça sempre ajuda, estamos disponíveis para falar sobre esse tema.

Italo Davison Dias

Terapeuta & Conselheiro
Técnico em Dependência Química e Alcoolismo

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Gatilhos da Compulsão

Muitas vezes ficamos imaginando o que levam as pessoas a ter tantas compulsões: sejam elas por comida, por sexo, por drogas, por trabalho, por internet, por jogos, por compras, por prazeres diversos, enfim… são inúmeras as possibilidades de compulsões.

O mecanismo que desencadeia esse distúrbio ainda não está totalmente desvendado, mas especialistas explicam que o problema tem causa multifatorial. Falhas no sistema de recompensa do cérebro, associadas a fatores socioculturais, são os principais elementos que geram as condutas.

A principal característica da compulsão é a repetição de determinados comportamentos de forma descontrolada a fim de obter prazer. É preciso passar por alguma situação previamente gravada pelo cérebro como agradável para manter a liberação da dopamina, substância química diretamente ligada à sensação de bem-estar.

O que se acredita é que um problema biológico possa levar determinados indivíduos a produzir essa substância em quantidades menores. Essa falha, somada ao ambiente em que vivem, seria o suficiente para torná-los dependentes dessa liberação, buscando assim cada vez mais prazer e fazendo com que determinado comportamento vire hábito e, logo, uma dependência.

Além disso, o compulsivo acredita que está sempre repetindo aquele comportamento pela última vez. Mas, logo depois, é inundado pela sensação de culpa e pela tristeza de não ter conseguido se controlar.

E quais seriam os gatilhos para começar essa busca desesperada pelo objeto do prazer? São muitos os gatilhos que levam à compulsão, porém nas duas pontas do “iceberg” podemos citar a euforia e a depressão: dois estados extremos.

Quando o ser humano está passando por uma fase relativamente calma, sem grandes euforias ou longos períodos melancólicos, é mais difícil que os tais gatilhos sejam acionados. Ansiedade e estados que nos levam ao estresse também podem desencadear desejos, ou recaídas, de substâncias lícitas ou ilícitas e também de comportamentos destrutivos.

No entanto, quanto mais o indivíduo se conhece e sabe de seus pontos fracos, mais ele se fortalece e consegue desativar os gatilhos da compulsão. Se está muito eufórico, deve perceber que precisa fazer algo para se acalmar, seja esporte, meditação, enfim, qualquer atividade que lhe dê equilíbrio.

E o contrário também é válido. Se percebe que está entrando em uma depressão, ao invés de se entregar, deve procurar fazer uma caminhada, tomar um pouco de Sol, tentar uma maior socialização.

O interessante neste processo humano (que pode levar a inúmeras recaídas e novas experimentações, que geralmente não são nada saudáveis) é aprender a dar um novo significado a estes períodos e seus sintomas. Uma pessoa que tem recursos psíquicos e psicológicos mais coerentes tem maior chance de não “mergulhar” nestes gatilhos.

A terapia ajuda bastante nestes momentos e age também como precaução. Uma outra dica (que aqui damos como especialistas) é evitar lugares e pessoas que dão acesso muito fácil a este tipo de gatilho. Ou seja, se uma pessoa está em estado de euforia, acelerado, fica difícil ir em uma festa e acabar não consumindo bebida alcoólica. A tendência é que se tome o primeiro gole que dê vazão desde a uma recaída ao alcoolismo, até como porta de entrada para o consumo de outras drogas.

A baixa na perda de discernimento é instantânea e quase automática, por isso falamos tanto para evitar o primeiro gole. Eis um grande gatilho da compulsão, juntamente com a euforia, ansiedade e depressão.

Um outro caso bem típico é o da pessoa que tem distúrbio alimentar. Se alguém com bulimia, que come depois vomita o que ingeriu forçadamente (e nitidamente tem compulsão por comida) for a uma churrascaria, dificilmente conseguirá manter o controle. O gatilho, neste caso, fica no próprio ambiente.

E a segunda grande precaução: estar ao lado de pessoas que “desarmam” nossos gatilhos, ao invés de ativá-los! Evite pessoas negativas, críticas demais ou eufóricas, que incitam em você sentimentos negativos.

Outro ponto fundamental: a intervenção dos familiares costuma ser fundamental para dar um ponto final nesse ciclo vicioso. Normalmente, são eles que levam o compulsivo a buscar tratamento – são poucos os casos em que a busca por ajuda parte do próprio doente.

O tratamento, de forma geral, podem envolver um trabalho conjunto de psicoterapia e psiquiatria, com uso de medicamentos antidepressivos que podem ajudar a regular o mecanismo de recompensa do cérebro.

Fora isso, a participação em grupos de ajuda também é uma boa saída complementar.

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