Importância do Plano de Prevenção à Recaídas

Para que o dependente químico não recaia é necessário observar todos os passos de prevenção contra a recaída. Como isto funciona?

A prevenção à recaída no consumo de substâncias depende de cada caso, mas principalmente das estratégias utilizadas, de estar atento aos gatilhos emocionais e, sobretudo, do suporte emocional que recebe de seus entes queridos.

ESTRATÉGIAS DE PREVENCÃO À RECAÍDA

As estratégias de prevenção à recaída devem ser observadas durante a internação do dependente químico e devem permanecer em sua vida e de toda a sua família, por TODA A VIDA.  Isto mesmo, por TODA A VIDA!

Essas estratégias têm o objetivo de ajudar o dependente a lidar com as situações onde que há possibilidade de recaída no uso de drogas. Alguns pontos importantes a seguir:

  1. A primeira e mais importante estratégia é estimular o dependente químico a fugir dos lugares, dos hábitos e das pessoas com quem ele usava drogas. O prazer de usar droga e álcool fica registrado na memória corporal – independentemente de sua vontade. Os lugares, os hábitos, os odores, trazem à tona lembranças da “ativa” e isto pode ser letal para a recuperação.O usuário deve se afastar das situações que provoquem seu desejo. Deve-se evitar falar sobre drogas ou assistir reportagens e filmes em que há cenas de uso. Cada um, dentro de sua nova maneira de viver, deve desenvolver formas ou habilidades para trabalhar com estas situações, porque elas aparecerão sempre, durante toda a vida.O fato é que o usuário nunca mais se desvinculará da dependência. Então ele deverá manter-se atento a todas as suas fragilidades. É como um paciente diabético, ele sempre será diabético, mas não precisa padecer com a diabetes, se seguir o tratamento. Porém deverá ficar em alerta total para o resto da vida.
  2. É importante que o dependente químico refaça e renove o compromisso consigo mesmo do “Só por hoje”. Procurar, só por hoje, viver este dia apenas, sem tentar resolver, de imediato, todos os problemas de sua existência.
  3. Hoje, seus pensamentos e atitudes devem ser de recuperação e não mais de “ativa”. E cada pensamento que ele cultiva pode levá-lo a um sentimento e comportamento de igual força, contribuindo para o impulso de beber ou se drogar.É sabido que os pensamentos negativos nos convidam para sentimentos também negativos e desconfortáveis. Por isso, pensar de forma positiva, afirmativa e proativa sobre si próprio e sobre todo o seu processo de recuperação é muito importante.
  4. Por último, a espiritualidade e qualidade de vida (honestidade, mente aberta e boa vontade) é de suma importância para a prevenção à recaída. Sem ela, não existe recuperação e com ela fica mais fácil vencer os obstáculos na caminhada rumo ao crescimento pessoal e à sobriedade. A disciplina também é uma ferramenta poderosa que o dependente químico pode ter em mãos.

GATILHOS EMOCIONAIS

É muito importante conhecer e estar atentos aos gatilhos emocionais que levam o dependente químico à recaída:

  1. A recaída começa muito antes do ato de consumir a droga novamente, começa com situações que geram algum tipo de necessidade de anestesiar ou fugir das emoções, e dos sentimentos: compras compulsivas, comida em excesso, sexo compulsivo, esportes radicais que gerem muita adrenalina, conquistas amorosas, jogos de azar, entre outras coisas.Ou seja, é o sofrimento emocional que leva o paciente a refugiar-se novamente no uso de drogas, desconectando-o do compromisso que assumira consigo mesmo ao aceitar seguir o tratamento.
  2. Existem diversas outras situações que aumentam drasticamente as chances de recaída, tais como:- Depressão e outras doenças emocionais;- Problemas em casa;- Pressão social ou no trabalho;- Ambientes onde ocorrem o consumo de drogas;- Conviver com pessoas sob efeito de drogas;- Estar com amigos ou conhecidos que oferecem as substâncias;- Estados de euforia:

    – Doenças graves;

    – Finais de relacionamento.

SUPORTE FAMILIAR E EMOCIONAL DA FAMÍLIA

O papel da família é essencial na prevenção à recaída no uso de drogas, pois os pacientes com apoio familiar apresentam melhora mais rápida e efetiva no tratamento, na recuperação e no prognóstico.

O dependente químico sempre terá tem menos chance de voltar a consumir drogas se puder contar com a compreensão e a ajuda de seus familiares e demais pessoas próximas.

Nos primeiros meses ou anos iniciais à fase de recuperação é importante que a família evite o uso de álcool em comemorações festivas, pois o dependente químico ainda está iniciando seu processo de recuperação e ainda não enfrentou grandes situações de exposição e risco. ‘

É necessário que haja preparação emocional para esses tipos de riscos e situações, às vezes inevitáveis. E que haja ainda, um “despertar” consciente de que tais situações ou pressões podem afetar os pensamentos, os sentimentos e, consequentemente, o comportamento, deixando o dependente químico bastante vulnerável.

Somente quando o dependente acredita ter motivos para melhorar e manter-se sóbrio é que este encontra forças para lutar diariamente contra a força avassaladora da adicção. Essa é uma doença grave e sem o tratamento adequado dificilmente o paciente vai conseguir se ajudar sozinho.

Tenham em mente também que todo dia que um dependente químico fica sóbrio antes de uma recaída é extremamente valioso, tanto para o indivíduo quanto para sua família.

Porém, se ocorrer uma recaída, é muito importante voltar a procurar tratamento e obter o apoio necessário para não beber mais.

Em situações de emergência, o dependente não deve vacilar. É importante ficar pouco na festa ou local de risco e procurar não se testar. Se encontrar dificuldades, então dever compartilhar de imediato com seu grupo de apoio, com seu padrinho, lembrando-se que o silêncio é a pior resposta para quem está em recuperação.

Se você está buscando maiores informações sobre a prevenção a recaída nas drogas, entre em contato conosco e teremos satisfação em ajudar no que for possível.

O trabalho para evitar a recaída precisa ser diário e envolve toda a família. É um trabalho silencioso, mas eficaz. Só por hoje, pelo resto de nossas vidas!!!!

Clínica Grand House
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Dependência química é diferente de vício

Psergio_varias2rimeiramente, vamos entender o que é a dependência química:

A dependência química é um estado resultante do uso habitual de drogas (ou qualquer substância química, incluindo álcool e até medicamentos), no qual existem sintomas físicos negativos de abstinência quando há interrupção abrupta e que é causada ou precipitada por um complexo de fatores genéticos, bio-farmacológicos e sociais.

A dependência química é uma doença crônica e reincidente, que envolve mudanças no cérebro que levam ao consumo compulsivo de drogas – sempre com conseqüências devastadoras. A decisão inicial de usar uma droga é voluntária, mas seu uso crônico pode precipitar mudanças cerebrais que comprometem os sistemas de recompensa, motivação e mesmo o livre-arbítrio.

Por que usamos o termo Dependência Química?

QUÍMICA” por que se refere ao fato de que o que provoca a dependência é uma substância química. O álcool, embora a maioria das pessoas o separe das chamadas “drogas ilegais”, é uma droga tão ou mais poderosa em causar dependência química em pessoas predispostas quanto qualquer outra droga – ilegal ou não.

Existe diferença entre a dependência e o vício?

A dependência é diferente de vício. O vício é caracterizado como um mau hábito e a dependência é caracterizada por uma necessidade compulsiva em relação ao objeto da compulsão, do desejo.

Vamos explicar melhor a diferença entre vício e dependência:

Dependência é o impulso que leva a pessoa a usar uma substância química de forma contínua (sempre) ou periódica (freqüentemente) para obter prazer. Para entender a dependência, o objeto de compulsão não é tão importante. Uma pessoa pode ser dependente do trabalho, do jogo ou das compras, das drogas, da comida, do álcool, de sexo – qualquer coisa feita de forma freqüente e compulsiva, da qual a pessoa não consegue se livrar e é absolutamente impotente perante ela.

No caso da dependência química, a pessoa é totalmente dominada pela substância, podendo passar pela SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA se privada do uso da droga ou álcool.

Vício (do latim “vitium”, que significa “falha ou defeito” ) é um hábito ou costume repetitivo adquirido que traz algum tipo de prejuízo ao viciado ou aos que com ele convivem.

Vício seria algo como um mau costume: por exemplo – roer unhas, mascar chicletes, mudar sempre os móveis de lugar, comer chocolate, pensar de forma negativa etc.

Todos nós temos algum tipo de vício, seja mais ou menos nocivos. Porém, o vício é normalmente algo ruim, pois cria padrões de comportamento, o seu oposto é a virtude.

“Toda forma de vício é ruim, não importa que seja droga, álcool ou idealismo.” Carl Gustav Jung

Para entender melhor o vício: uma pessoa que tem o hábito de fumar, não tem vício por cigarro e sim uma dependência por cigarro, pois sua falta traz fissura, nervosismo, desconforto físico e um desejo incontrolável – a pessoa não vê a hora de poder fumar novamente. Existe, no caso do cigarro, uma dependência física e psicológica – não é simplesmente um vício. Muitas vezes o fumante necessita, para abandonar o cigarro, recorrer a medicamentos, tratamentos específicos ou mesmo grupos de auto-ajuda.

Temos evidências de que os mecanismos cerebrais de dependências comportamentais, como, por exemplo, o prazer no jogo compulsivo, são similares aos produzidos por drogas. As substâncias psicoativas interferem nos mecanismos de recompensa, controlados pelo neurotransmissor dopamina. A maioria das drogas aumenta exageradamente a produção de dopamina, o que sobrecarrega o sistema de motivação e afeta circuitos cerebrais como a memória, a tomada de decisões e a motivação. No caso do jogo compulsivo, ele interfere nos mesmos circuitos cerebrais.

Drogas que causam tanto o vício quanto a dependência química:
As drogas que mais causam dependência são as ilegais assim como alguns remédios vendidos sob prescrição médica, o álcool e a nicotina. Entre as drogas que causam dependência estão:

Estimulantes:

* Anfetaminas e meta-anfetaminas.

* Cocaína.

* Nicotina.

* Maconha.

Sedativos e hipnóticos:

* Álcool.

* Barbitúricos.

* Benzodiazepinas.

* Metaqualona.

Opiatos e analgésicos opióides:

* Morfina e codeína.

* Opiatos semi-sintéticos como heroína

* Opiatos sintéticos como fentanil

Além das citadas aqui existem várias outras substâncias que podem causar dependência que atualmente considera-se possuam valor médico e só podem ser usadas com orientação médica.

Em qualquer caso em que há dependência, o indivíduo necessita ser tratado.

Qual a perspectiva de cura através de tratamento específico?

Os tratamentos mais eficazes incluem as terapias comportamentais (além de outros recursos, por exemplo medicamentos nos casos em que há transtornos psiquiátricos). Para as dependências severas, necessitamos de um sistema de cuidados crônicos, com a consciência de que recaídas podem acontecer e devem ser rapidamente tratadas.

O importante é que haja a conscientização de que a dependência requer tratamento, seja ela qual for.

Sergio Castillo Diretor Terapêutico – Clínica Grand House